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minas em 3 tempos

Posted in Uncategorized by tijoloportijolo on 22/01/2011

A minha segunda viagem pela Escola Itinerante foi para Minas Gerais. Uma viagem imprescindível para quem se interessa por arquitetura e arte brasileira. Foi uma verdadeira aula de história ao vivo. Aprendi com minha primeira professora de história do ginásio, a temida Maria José, a estudar história através da linha do tempo. Desde então gosto de estudar assim, me ajuda a localizar, relacionar e guardar melhor os acontecimentos. Por isso achei interessante dividir essa viagem numa linha de três tempos: começando no século XVIII com o Barroco, passando pelo Modernismo do século XX e terminando no século atual com o Contemporâneo. Vamos lá.

A primeira parada é Ouro Preto, antiga Vila Rica, criada no início da extração do ouro em Minas Gerais, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal. A descoberta do ouro, em 1753, foi a grande responsável pela interiorização do Brasil, que até então tinha sua colonização concentrada no litoral. A chamada “corrida do ouro” estimulou a criação de muitas vilas e a construção da estrada Real, que ligava Vila Rica ao Rio de Janeiro, antiga capital da colônia. Em Ouro Preto tomamos contato com as verdadeiras raízes da arquitetura Brasileira, a barroca, e com a arte de Antonio Francisco Lisboa, o engenhoso Aleijadinho. As imagens 1 e 2 mostram o que muitos consideram ser a obra prima do artista: a Igreja São Francisco de Assis. Sua construção teve início em 1766, com projeto arquitetônico, risco da portada e elementos ornamentais como púlpitos, retábulo-mor, lavabo e teto da capela-mor da lavra de Aleijadinho, e pinturas de Manuel da Costa Ataíde.  O primeiro grande casamento entre arquitetura e arte brasileiras.

A segunda parada é Belo Horizonte. Inaugurada em 1897, logo após a proclamação da república, é o exemplo de cidade que queria deixar o passado monárquico para traz e pretendia exaltar a modernidade de um país republicano.  Foi lá que surgiu a semente do modernismo brasileiro, em várias edificações, sendo que o conjunto da Pampulha é o grande ícone. As imagens 2 e 3 mostram a Igreja São Francisco de Assis (1942), que faz parte do conjunto. Projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer com painel de Portinari. Outro casamento de arquitetura e arte incrível.

O ponto final é Inhontim, o maior museu de arte contemporânea ao ar livre do mundo, que se localiza em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte. Inhotim é um verdadeiro Oásis: uma união perfeita entre natureza, arquitetura e arte. Tudo é lindo, tudo funciona. Todos ficamos extasiados e orgulhosos de existir uma instituição como essa no Brasil. E muitos de nós pensamos: “Como eu nunca tinha ouvido falar de Inhotim antes?”, foi o que minha amiga Alexia, também estudante do primeiro ano do curso de arquitetura, me falou no fim do dia mais incrível da nossa segunda viagem. Ela, com seus 20 anos, já ficou inconformada com aquilo. Eu, com meus 38, fiquei absolutamente envergonhada de nunca ter ido até lá antes. A verdade é que fazia muito pouco tempo que eu havia me dado conta da existência de Inhotim. As imagens 5 e 6 mostram o pavilhão Adriana Varejão, projetado pelos arquitetos Rodrigo Cerviño Lopez, Fernando Falcon e Eduardo Chalabi e a obra da artista Celacanto provoca maremoto (2004-2008).

Se você ficou interessado em fazer essa viagem aí vão algumas dicas:

Ouro Preto: Se você puder investir um pouquinho na estadia, fique no Grande Hotel de Ouro Preto. Além de ter sido projetado por Oscar Niemeyer, a localização é ótima e a varanda do restaurante tem uma vista incrível.

Belo Horizonte: Além do conjunto da Pampulha, outras obras interessantes estão reunidas na Praça da Liberdade (1904), marco do projeto urbanístico republicano, onde se encontram o Edifício Niemeyer e o Museu de Minerologia Prof. Djalma Guimarães, entre outros.

Inhotim:  É uma parada absolutamente IMPERDÍVEL. Um dia não é suficiente para conhecer tudo. Reserve pelo menos um fim de semana. Vale a viagem para Minas, mesmo que seja para ir só para lá. Veja no site deles dicas de onde ficar em Brumadinho.

um ano de vida nova

Posted in Uncategorized by tijoloportijolo on 04/08/2010

Tabebuia avellanedae, ou popularmente conhecida como ipê rosa (São Paulo) ou piúva (Mato Grosso do Sul), é a árvore ilustrada acima. Quando a desenhei na estrada Parque do Pantanal, durante as minhas primeiras férias universitárias, pensei que ela seria a imagem perfeita para esse post. Talvez um pouco óbvia, não importa. Ela tinha acabado de florescer, no mesmo mês em que completei um ano de vida nova. E reflete toda a força e beleza desse momento.

Foi um ano intercalado de períodos muito difíceis e momentos de pura felicidade, desfrutando da nova liberdade e da companhia do Duda.

Nesse tempo, meu corpo teve que adaptar-se a um novo relógio. Novos horários de comer, de estudar, de lazer, de dormir. Parece bobo, mas não é. Nunca tive tanta insônia. Houve semanas em que eu dormia um dia sim outro não. Pesadelo! Por outro lado, acho que nunca havia caminhado no parque às 15h,num dia de semana. Durante o período do cursinho eu o fazia quase todos os dias. Um intervalo para voltar a estudar em casa, depois de ficar seis horas sentada na cadeira do Intergraus, que diga-se de passagem é um excelente curso.

Também nunca senti tanta fome. Estudar abre o apetite. Dá fome de adolescente. Fome de comer pão com Nutella no lanchinho da tarde. Essa parte foi boa, comi um montão e não engordei.

Outra coisa que eu reaprendi foi gastar e guardar dinheiro. Jamais fui uma mulher perdulária, mas a partir de certo momento na minha carreira eu não me preocupava muito em fazer contas, pois eu ganhava o suficiente para cobrir as minhas despesas e muitas vezes sobrava um pouco para poupar. Hoje, com uma renda muito reduzida, eu conto cada real que gasto e economizo sempre que dá.

Mesmo com tudo isso a boa notícia é que eu nunca pensei em voltar atrás. Nunca duvidei de que esse fosse meu caminho. Meu pai, que sempre diz coisas sábias nos momentos difíceis, me falou que essa mudança de vida era como se eu tivesse provocado uma batida de mim mesma contra um muro. Com muita força e velocidade. Tudo não passava de uma questão praticamente física. Eu precisava ter calma e paciência para que as coisas voltassem ao lugar. E mais uma vez, ainda bem, ele toda tinha razão.

Somando tudo, seguramente o saldo do ano foi muito positivo. O primeiro semestre na faculdade foi fantástico. Aprendi muito. Estudei muito história, um pouco de tecnologia, urbanismo e paisagismo, desenhei bastante, fiz algumas maquetes, conheci diversos projetos de profissionais renomados e me apaixonei definitivamente pela arquitetura.

E o melhor de tudo, tive três meses de férias e viajei como nunca. A última agência em que eu trabalhei defende o ponto de vista de que o tempo é a nova moeda. Eu acredito muito nisso. Hoje eu tenho muito menos dinheiro e muito mais controle sobre o meu tempo. E me sinto realmente rica.

escola itinerante

Posted in Uncategorized by tijoloportijolo on 08/07/2010

A Escola Itinerante foi um dos motivos que me fez escolher estudar arquitetura na Escola da Cidade. É uma disciplina que promove viagens de estudo da arquitetura das cidades uma ou duas vezes por ano. A minha primeira viagem foi em junho passado, para o maravilhoso Rio de Janeiro. Apesar de eu já ter visitado essa cidade diversas vezes, nessa viagem eu conheci um Rio totalmente novo. E felizmente, ele continua lindo! Mais que isso, como diz a minha amiga Naiara, o Rio de Janeiro continua incrível. Essas 10 frases foram faladas durante a viagem por alunos ou professores que ministraram palestras durante a viagem. O desenho é meu, o Cristo visto do morro Santa Marta.

Links úteis:

Arquiteto Afonso Eduardo Reidy

Teatro MAM

Conjunto Pedregulho

MAC Niterói

Unidade de Polícia Pacificadora Morro Santa Marta

meu álbum da copa

Posted in Uncategorized by tijoloportijolo on 27/06/2010

Brasil 3 x 1 Costa do Marfim

o desenho

Posted in Uncategorized by tijoloportijolo on 05/06/2010

Demorou um certo tempo para eu me apaixonar por ele. Durante o cursinho, nosso encontro nas noites de quarta-feira na maioria das vezes era muito sofrido. Eu sempre achava que eu não estava a sua altura. Dificilmente eu conseguia sentir prazer nesses momentos. Alguns meses depois, quando eu já havia perdido o medo de me aproximar, numa tarde, dentro do metrô eu descobri que estava totalmente entregue a ele. Ao desenho.

Tudo bem, pode até ser babaca essa introdução que trata o desenho como um amante, mas a sensação que eu tenho é exatamente essa. Desenhar é muito pessoal. Ou você gosta e se entrega ou simplesmente não rola. Como é bom descobrir o prazer de desenhar! Hoje, eu compartilho completamente a crença do fotógrafo Cartier Bresson. Ele acreditava que todos deveriam desenhar, sem importar-se com o resultado. O importante é desenhar, pois enquanto a fotografia é um tiro, o desenho é uma espécie de meditação.

O problema é que parece que vivemos num mundo dividido entre os que sabem e não sabem desenhar. Ou talvez entre aqueles que “tem direito”, e aqui inclua as crianças que podem desenhar mesmo sem saber, e aqueles que “não tem o direito” de desenhar, pois se vêem expostos ao julgamento de outrem. Eu pelo menos via o mundo assim, desde que eu era criancinha e  provavelmente já achava uma porcaria os rabiscos que eu fazia. Essa divisão é um absurdo. Assim como todos podem aprender a ler, a escrever, a dançar, todos podem desenhar.

Muito se fala sobre a importância do desenho para o desenvolvimento infantil, por ser uma “ferramenta” que permite as crianças expressarem a sua visão de mundo. Mas será que ele também não poderia beneficiar adultos? E não somente os artistas, arquitetos, designers, publicitários… mas todos que quiserem desenhar? Desenhar te coloca numa sintonia única com o objeto desenhado e faz você perceber e conhecer detalhes que não tinha se dado conta antes. Além disso, pode ser  relaxante ou excitante. Depende da sua energia na hora.

No dia em que eu estava desenhando pela primeira vez figuras humanas, dentro do metrô, notei mais uma vez o interesse das pessoas comuns pelo desenho. Muita gente queria espiar o que eu estava desenhando. A primeira vez que percebi isso foi num exercício de desenho da paisagem na Praça da República. De repente 70 estudantes de pranchetas e lápis nas mãos invadiram a praça e começaram a desenhar. Pessoas que passavam ou trabalhavam por ali se aproximaram para ver e perguntar o que estávamos fazendo. Não me esqueço do sorriso do pedreiro quando mostrei para ele que eu estava justamente desenhando a obra que ele fazia. Nem o comentário do traveco que após saber que eu estava ali sentada no chão desenhando fez o seguinte comentário “A praça seria muito melhor se tivesse menos roubo e prostituição”. Ele queria desenhar também! Só pode ser. Fiquei morrendo de vontade de dar de presente um caderno e uma caixa de lápis de cor para ele.

Queria lançar uma campanha em prol do desenhar. Porque acredito que desenhar é preciso, no sentido de ser quase uma necessidade, porque é uma forma riquíssima de linguagem. Que é coletiva, e deve ser permitida a todos. E porque desenhar não é preciso, no sentido de que não é exato. É individual e um desenho nunca vai ser igual ao outro, por isso não precisamos temer o que os outros vão achar. Se você tiver vontade de tentar uma relação com o desenho aí vão três dicas:

1) Jogue a borracha fora. O erro faz parte do desenho. Tente deixar o desenho te guiar. O filme “O mistério de Picasso” me ensinou isso (veja trecho do filme aqui).

2) Arrisque-se a desenhar pessoas, começando pelo seu auto-retrato, com uma transparência/acetato colado num espelho. Parece muito difícil, mas se você não esperar uma retrato realista, e sim uma visão totalmente livre, pode ser bem divertido.

3) Ande sempre com um bloquinho sem pauta e uma caneta ou lápis, pois a vontade de desenhar vai aparecer quando você menos esperar. Principalmente quando você estiver bebendo com os amigos!

a beleza dos números

Posted in Uncategorized by tijoloportijolo on 11/05/2010

Eu nunca acreditei que número é coisa de engenheiro, de financeiro, de pesquiseiro. Gente taxada de sem graça e pouco criativa. Mas quem, pelo menos uma vez na vida, não se rendeu ao pensamento esteriotipado de que humanas é sexy, tem a ver com artista, e exatas é chato, tem a ver com nerd? Eu mesma confesso que estranhei quando minha irmã, aos 24 anos, linda, inteligente e divertida falou que tinha descoberto que adorava finanças.

A verdade é que eu sempre tive uma certo fascínio por números. Essa atração começou na infância. Meu pai, que é físico, me contava curiosidades da matemática, como a origem da forma dos números, histórias do livro “O homem que calculava” de Malba Tahan,  e me propunha alguns desafios numéricos, como usar um sistema algébrico de base 6, ao invés do sistema decimal que estamos acostumados. Falar sobre números com ele me fazia sentir adulta e muito diferente dos meus coleguinhas de classe que não faziam a mínima idéia de que o desenho dos números é resultado da quantidade de ângulos contidos na sua forma.

Mas mesmo gostando de números, eu não entendi quando ele me falou, já na adolescência, que acreditava que todo mundo deveria estudar primeiro exatas, pois existe uma beleza nos números que explica toda a vida. Essa teoria começa a fazer todo o sentido para mim quase vinte anos depois, estudando arquitetura e convivendo com meu marido biólogo.

Por exemplo, a proporção áurea ou “divina proporção” revela claramente a ligação da matemática com o nosso mundo. É uma razão matemática que aparece na natureza, no DNA, no comportamento da refração da luz, dos átomos, nas vibrações sonoras, no crescimento das plantas, nas espirais das galáxias, nas ondas no oceano, furacões, etc.

Pela sua beleza e perfeição, a divina proporção sempre foi apreciada pelos artistas, arquitetos e músicos.  Nas artes, ela foi muito explorada pelos renascentistas e eternizada pelo Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci, que mostra as proporções e simetrias do corpo humano. Na música, ela está presente na Quinta e Nona Sinfonais de Beethoven. Na arquitetura, ela foi usada pelos egípcios na construção das pirâmides, pelos gregos na planificação de seus templos e inspirou o “manual”, The Modulor (o modulador), de Le Corbusier, amplamento utilizado por arquitetos e designers até os dias de hoje (ilustração acima).

Duas dicas para quem tiver interesse nesse assunto: 1) O livro O Poder dos limites, que fala das  harmonias e proporções na natureza e arte, 2) O vídeo Nature by numbers, que ilustra a beleza dessa relação.

vazios e grades da cidade

Posted in Uncategorized by tijoloportijolo on 22/04/2010

Desde que eu comecei a estudar arquitetura, muito tenho ouvido falar sobre os vazios e as grades das cidades.

Vazios são definidos como imóveis públicos (como edifícios administrativos ou culturais) ou privados (como residências, escritórios, lojas, galpões e estacionamentos) e espaços livres públicos (como praças e parques) que estão desocupados e/ou degradados. Só para termos uma idéia, segundo uma matéria publicada no jornal OESP, em dezembro de 2008 a cidade de São Paulo tinha 400 mil imóveis desocupados, sendo a grande maioria no seu centro expandido. Exemplos como o Edifício Prestes Maia, na Luz, abandonado há 16 anos e o Edifício Garcia, na Bela Vista, há quase três décadas infelizmente não são raros.

A discussão da questão das grades sempre vem acompanhada com uma crítica àqueles que se encarceram nos altos muros dos condomínios fechados e nas quatro paredes dos shopping centers ou ainda às grades propriamente ditas que são colocadas em espaços públicos, impedindo o acesso livre da população a determinadas áreas de parques, museus e até mesmo de calçadas e ruas.

E o que tem a ver uma coisa com a outra? Tudo. Pense na sensação de estar num imóvel abandonado ou numa rua deserta. O vazio cria a insegurança. A insegurança cria a grade. A grade cria mais vazio. E assim sucessivamente. Muitos concordariam comigo que seria muito melhor viver num mundo sem grades, mas o que tem ficado cada vez mais claro para mim é que, além de combater a criminalidade, não nos libertaremos delas se não ocuparmos os vazios da cidade.

E quem tem que fazer isso? Na minha opinião, toda a sociedade. O poder público, através de ações de recuperação de imóveis desocupados e espaços públicos abandonados, como por exemplo a prefeitura de São Paulo que recentemente desapropriou 53 prédios abandonados no Centro para a construção de 2.500 moradias populares. A iniciativa privada, através de parcerias com o poder público para transformação de áreas degradadas. Um exemplo disso é a parceria entre a subprefeitura de Pinheiros e a Editora Abril que transformou um lixão na praça Victor Civita Espaço Aberto da Sustentabilidade. E finalmente, eu, você e nossos vizinhos, saindo de dentro de nossas casas e locais de trabalho e nos apropriando de todos os espaços públicos da cidade, como ruas, praças, parques e centros culturais. Como foi o caso de uma mãe que se mobilizou para conseguir reformar a praça do seu bairro mediante o pedido da filha de 3 anos que queria comemorar lá seu quarto aniversário. O resultado da reforma foi tão positivo para a vizinhança que deu início ao movimento Boa Praça.

as 8 melhores em 8 semanas

Posted in Uncategorized by tijoloportijolo on 11/04/2010

1. Ciro Pirondi: É um grande arquiteto e um idealista apaixonado. Por acreditar que só se transforma um país através da educação, criou a Associação Escola da Cidade junto com um grupo de arquitetos há 13 anos. Hoje, é diretor da Escola e um dos meus professores de Projeto. É um privilégio poder ouvi-lo quase todas as sextas-feiras. Sua palestra no cursinho me fez abrir os olhos para a possibilidade de estudar na Escola. Obrigada Ciro. (Nesta foto ele apresenta o novo curso de pós-graduação da Escola para Oscar Niemeyer, seu amigo de longa data).

2. Passeio pelo Centro: Confesso que eu tinha medo de estudar no Centro. Eu entendia e concordava com a teoria do Ciro sobre a importância do arquiteto conviver com as mazelas da cidade, mas eu achava que na prática isso seria muito difícil. No primeiro dia de aula, fizemos um passeio pelo centro organizado pela turma do segundo ano. No fim do dia, meu preconceito com a região já não existia mais. O centro reúne uma amostra fantástica da Arquitetura Brasileira e revela a cidade e o país em que vivemos. Um bom arquiteto realmente não pode fechar os olhos para isso. Além disso, percebi que ele não é o bicho de sete cabeças que habita o imaginário de todo paulistano. Anime-se você também a passear pelo centro, vale a pena.

3. Material Escolar: Não precisa falar muito. Quem não se lembra da delícia que é comprar mochila, cadernos, livros, estojo e lápis novos!!

4. O mistério de Picasso: É um documentário que nos foi apresentado na aula de Desenho, que revela como Picasso pintava. Não há texto, só imagens do artista pintando 20 quadros. Desnecessário qualquer narrativa para entender como ele exercitava sua criatividade. A sensação é de que ele simplesmente segue o desenho. Sem qualquer medo ou pudor ele arrisca o tempo todo e, à medida em que desenha, a imagem se transforma completamente. Para mim, que tinha grande dificuldade de soltar o traço, foi um deleite.  Uma aula que jamais esquecerei.

5. Parque Ecológico do Tietê: Visitamos o parque, que fica na Zona Leste, com os professores de Urbanismo e Paisagismo. Ele é a maior área verde da cidade e está passando por um processo de revitalização desde 2004. É um exemplo positivo, e muito diferente das marginais asfaltadas, de como ocupar as margens de um rio tão importante tanto na história como na vida atual da cidade.

6. Estruturas com o Corpo: Durante uma aula de Tecnologia simulamos estruturas construtivas com os nossos próprios corpos, para sentirmos literalmente na pele, nos ossos e nos músculos os esforços internos e os caminhos de força que ocorrem nas estruturas. Muito didático e divertido. Nessa foto eu estou fazendo uma estrutura que se equilibra em balanço das suas extremidades.

7. OsGêmeos no MAM: Fomos ao MAM ver a exposição do artista Gordon Matta-Clark. Muito interessante, mas o mais legal é que ganhamos de “brinde” assistir ao vivo OsGêmeos ilustrando a parede externo do Museu. Peguei até autógrafo!!

8. Primeira pizza, primeira noite virada, primeira Maquete: Todo fim de bimestre temos que apresentar um trabalho na disciplina de Projeto. O primeiro deles foi fazer a leitura de uma obra. Foram sorteadas 23 casas de arquitetos renomados para cada grupo de 3 alunos estudar e apresentar para os demais, através de uma maquete e uma pracha síntese com fotos, plantas e diagramas. A casa que analisamos foi a Residência City Boaçava, do escritório MMBB. Trabalhamos muito e ficamos orgulhosas do resultado. Valeu Laura e Jeniffer!

do subsolo para o céu

Posted in Uncategorized by tijoloportijolo on 11/04/2010

Vinte anos atrás, como muitos adolescentes, eu tive que fazer uma escolha muito difícil: escolher uma carreira. Naquele momento, também como muitos adolescentes, eu não fazia a mínima ideia do que eu queria ser para o resto da minha vida. E para piorar a situação, eu não nutria nenhuma paixão particular que pudesse guiar minha decisão.

Considerando minha afinidade com as disciplinas humanas e meu talento para a comunicação (eu costumava escrever e encenar peças de teatro em festas de família), eu decidi estudar comunicação social e acabei me tornando uma publicitária.

Durante o período em que eu trabalhei na indústria da propaganda, eu tive muitas crises de consciência sobre a natureza e resultado do meu trabalho. Eu me perguntava, “Qual a contribuição daquilo que eu faço para as pessoas e para o mundo em que eu vivo?”, “O quanto eu posso aprender e crescer aqui?” e “Que outra coisa eu poderia fazer?” Responder às duas primeiras perguntas até que foi fácil: 1) Apesar de eu me esforçar muito para implementar ações de comunicações que fossem além de simplesmente vender produtos, meu trabalho poucas vezes fazia uma grande diferença na vida das pessoas. 2) Em dezessete anos trabalhando em grandes agências, eu cresci e aprendi muito, mas eu sempre sentia que eu precisava de algo diferente.

A resposta para a terceira, e mais difícil questão, começou a aparecer durante um curso que eu decidi fazer para exercitar minha criatividade: Design de Interiores, na Escola Panamericana de Arte. De repente, eu percebi que estava dedicando todo o meu tempo livre para conhecer mais sobre design e arquitetura e comecei a fazer projetos de interiores para parentes e amigos. O projeto que definitivamente abriu minha cabeça para uma mudança de vida foi a reforma do apartamento que eu e o Duda compramos para morar depois do nosso casamento. O dia em que entramos no apartamento pronto, eu olhei para ele e disse “Eu podia ter sido arquiteta.”

Desde aquele momento, aquela frase não saiu da minha cabeça e meu dia-a-dia na agência transformou-se num inferno. Eu sabia que eu estava no auge da minha carreira, eu trabalhava numa das três maiores agências do país, gostava e respeitava muito o meu chefe, tinha um equipe que me enchia de orgulho, parceiros na criação, atendimento e mídia especiais e um salário que muita gente poderia invejar, mas eu não conseguia segurar mais aquele desejo de mudança. Cada dia no escritório, cada hora numa reunião, era um sofrimento. Eu me sentia presa no interior de uma gaiola de marcas, benefícios e promessas, enquanto o que eu estava interessada era no mundo exterior das casas, edifícios, praças, parques e cidades.

Três meses antes de completar 37 anos, eu pedi demissão da agência e me inscrevi num curso pré-vestibular. Certamente algumas pessoas acharam que estava ficando maluca, mas a grande maioria delas me cumprimentou pela minha coragem e torceu para que tudo desse certo. O Duda foi o meu estímulo, meu suporte e meu padrinho da nova vida. Estou deixando de ser a publicitária Guega Rocha para me tornar a arquiteta Guega Rocha Carvalho. Sem o apoio dele provavelmente eu não teria conseguido enfrentar a dor e angústia que acompanham essa metamorfose. Foi muito difícil abandonar a segurança e estabilidade de uma carreria sólida e lidar com o desconhecido. Foi muito duro estudar seis meses como uma louca matemática, física, química, biologia, história, geografia, língua / literatura portuguesa, e linguagem arquitetônica para poder brigar por uma vaga numa boa faculdade de Arquitetura. Mas valeu a pena.

Na semana em que eu comecei a estudar na Escola da Cidade, a faculdade de Arquiteura e Urbanismo que tem a proposta pedagógica mais inovadora do Brasil, eu tive certeza que fiz a escolha certa. Em poucos dias percebi que estava aprendendo e crescendo de novo. Essa certeza me envolveu quando eu olhei a vista da cobertura do Edifício Copan, no meu primeiro passeio pelo centro da cidade . Eu senti uma sensação quase infantil de felicidade quando pensei “O céu é meu limite agora”.