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sonhar não custa nada

Posted in Uncategorized by tijoloportijolo on 07/03/2012

Muito antes de pensar em estudar arquitetura, sonho em viver numa São Paulo diferente. Também antes do conceito sustentabilidade ser tão usado e desgastado, eu já desejava ver os rios da nossa grande cidade limpos. Todos sabemos que a vida surgiu na água e dela depende para continuar a existir. A criação de diversas aldeias, povoações e cidades também estão diretamente relacionadas à água. Muitas civilizações, ao escolher um lugar para estabelecer-se, optaram por fixarem-se às margens de rios, pois esses são produtores de alimentos, vias de transporte, demarcadores de território, geradores de energia e espaços públicos de convívio e lazer. Esse foi exatamente o caso da vila de São Paulo, fundada em 1554 entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú, em sítio próximo aos Rios Pinheiros e Tietê.

A parte triste da história é que quase 500 anos depois toda a riqueza e vida relacionadas com esses rios simplesmente desapareceram, ou melhor, foram destruídas. Geralmente, quando pensamos nos rios paulistas apenas coisas ruins passam pela nossa cabeça: poluição, esgoto, mal cheiro, enchentes, trânsito. Estabelecemos uma relação distante e negativa com os rios e preferimos o mínimo de contato com eles. Nos aproximamos deles apenas sobre as rodas do carro, ônibus ou trem, com exceção dos corajosos ciclistas que andam usufruindo da ciclovia da Marginal (fala Mastroti!!). A maioria de nós não quer vê-los, não quer cheirá-los. Há quem pense que seria melhor se eles não existissem.

Por tudo isso resolvi fazer um projeto que colocasse em questão a relação das pessoas com os rios da cidade, para participar de um concurso com o tema sustentabilidade da Escola da Cidade. Eu não ganhei o prêmio, mas como curti muito fazer o projeto, achei que seria legal dividi-lo com vocês. A minha proposta tem o objetivo de minimizar a percepção negativa que os habitantes de São Paulo tem dos seus rios e propor uma visão otimista, pois concordo com o professor e pesquisador Zysman Neiman: “Não basta despoluir o rio! Mesmo que ele volte a correr límpido, piscoso, potável, de nada modificará a percepção que a população tem do seu ‘esgoto a céu aberto’. O rio precisa voltar a se incorporar na vida do paulistano e, para isso, a única alternativa é reconstituí-lo como espaço de lazer.”*

Com a ajuda do querido professor Roberto Pompéia projetei uma ponte sobre o rio Pinheiros, conectando duas áreas verdes: o parque Villa Lobos com a Cidade Universitária. Uma ponte construída com madeira de reflorestamento laminada para uso exclusivo de pedestres, ciclistas e skatistas, que serve de passagem e área de lazer, uma ponte de encontro dos moradores dos bairros que estão separados pelo rio. A base da ponte serviria a todos os usuários e o arco de sustentação seria também usado como passagem para ciclistas e skatistas fazerem uma travessia com sabor de aventura, já que sua inclinação máxima seria compatível com as das pistas de skate e mountainbike.

Essa ponte poderia ser replicada em outros bairros, estimulando a população a ter um contato mais direto e prazeroso com seus rios e, quem sabe assim, todos nós abriríamos olhos, narizes e bocas e nos mobilizaríamos para resgatar a relação original que os primeiros cidadãos paulistas tiveram com suas águas.

*“Queremos nadar no nosso rio! O simbolismo da balneabilidade para a construção do conceito de qualidade de vida urbana”, em L. Dowbor & R.A. Tagnin (orgs), Administrando a água como se fosse importante: gestão ambiental e sustentabilidade (São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2005), p 266.

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